Indica, Sativa e Ruderalis – Estávamos todos errados

Na década de 1970, Richard Evans Schultes criou a taxonomia original para a maconha que deu origem aos termos Sativa, Indica e Ruderalis, mas aparentemente houve um pequeno erro que somente agora foi notado e corrigido, assim, ao que parece, estamos todos errados.

Quando a cannabis foi dividida em 1970, pelo botânico norte-americano Richard Evans Schultes, três subclasses taxonômicas foram criadas, C. indica, C. sativa e C. ruderalis, sendo a última considerada uma “cannabis selvagem”, sem muitas propriedades medicinais ou recreativas.

Uma outra classificação, do conhecimento comum, divide a cannabis em dois tipos: a maconha, com altos níveis de canabinoides e utilidade medicinal; e o cânhamo, com baixos níveis de canabinoides e utilidade na indústria, para a produção de fibras, por exemplo.

O pesquisador John McPartland apresentou, em 2014, um estudo na International Cannabis Research Society, propondo uma nova nomenclatura para a maconha.

John McParland é um pesquisador afiliado da GW Pharmaceuticals e foi a primeira pessoa a olhar para os marcadores genéticos das três espécies de cannabis usando o genoma da planta para identificar qual a origem da mesma.

relatório original publicado no O’Shaughnessy concluiu que o erro ocorreu durante a criação da taxonomia da planta.

 

Cannabis Indica (Anteriormente Sativa)

Origem: Índia.

Morfologia: Maior (> 1,5 m) do que suas primas afegãs curtas e resistentes, com ramos esparsos e flores menos densas.

Fisiologia: Tempo de floração mais longo, entre nove e quatorze semanas. Tolerância mínima à geada, com uma produção moderada de resina.

Química: Possui mais THC do que CBD e outros canabinoides, o que a faz ser psicoativa.

Psicoatividade: Estimulante.

 

Cannabis Afghanica (Anteriormente Indica)

Origem: Ásia Central (Afeganistão, Turquestão e Paquistão).

Morfologia: Menor (< 1,5 m) do que as linhagens Indica, com ramos e flores mais densos e folhas mais largas.

Fisiologia: Menor tempo de floração, entre sete e nove semanas. Boa tolerância à geada, com alta produção de resina, suscetível a mofo devido à densidade das flores.

Química: Mais variável do que a Indica, mas muitas vezes com o THC sendo predominante, não sendo raros os casos de THC e CBD em proporções de 1:1 ou ainda com níveis de CBD maiores que o de THC.

Psicoatividade: Sedativo.

 

Cannabis Sativa (Anteriormente Ruderalis)

Origem: Normalmente selvagem (com origem provável na Europa ou Ásia Central).

Morfologia: Variável, dependendo da origem.

Fisiologia: Tempo de floração curto e variável, algumas variedades apresentam características autoflorescentes (floração independe dos ciclos solares). Tolerância moderada à geadas, com produção de resina relativamente baixa.

Química: Mais CBD que THC. Terpenos proeminentes que incluem o cariofileno (presente em diversos tipos de temperos) e o mirceno (encontrado no manjericão e em mangas), dando a ela sabor e aroma floral.

Psicoatividade: Na maioria dos casos não apresenta psicoatividade.

 

Fonte: The Leaf Online